Diário Económico
A arma do design
Por que é que a Porsche, fabricante de carros desportivos de linhas apaixonantes, começou também a produzir torradeiras? A resposta é simples: porque percebeu que podia explorar a sua reconhecida competência de 'design' na satisfação dos anseios de vários públicos, para quem a simples funcionalidade dos bens e equipamentos já não é hoje suficiente, valorizando, cada vez mais, aspectos como a usabilidade e a estética.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
No caso da torradeira, se virmos bem, a sua funcionalidade é apenas requerida por breves minutos (para torrar o pão), passando o resto do dia como um mero objecto de decoração. Daí o natural apelo a uma estética original e emocionalmente cativante, atributos que a Porsche sabe criar como poucos.
Mas também a usabilidade é hoje uma exigência omnipresente perante a crescente complexidade dos equipamentos que manipulamos. Já ninguém tem tempo para ler os longos manuais de instruções de um automóvel ou de um electrodoméstico, muito menos para estudar todas as funcionalidades de uma aplicação informática, que assim correm o risco de se tornarem invisíveis e inúteis.
Os consumidores de hoje exigem pois soluções que aliem a estética e a usabilidade de forma inteligente, soluções desenhadas criteriosamente para incorporarem valores como a beleza e o uso intuitivo.
Falamos, portanto, do incrível poder do 'design', bem patente, aliás, na forma como a Apple se tornou, nas últimas semanas, a empresa tecnológica mais valiosa do planeta. Tudo porque apostou fortemente nesta valência, não só nos seus produtos iPod,iPhone, iPad - mas, sobretudo, na forma como concebeu e desenhou os serviços que fornece aos clientes, proporcionando-lhes uma experiência claramente diferenciada.