Diário Económico
A maior nuvem do mundo
Desde o nascimento da Internet que não se ouvia tamanho alarido em torno de um novo conceito de TI. A verdade é que a mediatização do cloud computing atingiu os píncaros das nuvens ao ponto de ser lícito interrogarmo-nos sobre se estamos mesmo perante uma inovação real e transcendente, ou sob o efeito de uma transcendente inovação… de Comunicação e Marketing.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
Seja como for, praticamente todos os grandes players de TI se mostram rendidos à “grande nuvem” e ao buzz gerado à sua volta, não hesitando em avançar para a redefinição das respectivas ofertas de forma profunda e em sintonia com a nova tendência.
Embora encontremos definições de cloud computing com variadas nuances, poder-se-á dizer que, na sua essência, esta “nuvem global” assenta num modelo que visa melhorar a partilha de um bem – seja recursos, software ou informação – permitindo aos utilizadores substituir o investimento à cabeça (CAPEX) por uma renda variável de acordo com a utilização que façam desse bem. Uma ideia que se revela luminosa, mas que, ironicamente, retoma a filosofia nada nova de partilha dos mainframes aplicada nos primórdios das TI.
Entre as vantagens que a “nuvem” anuncia, a mais aliciante é, sem dúvida, a que traduz o combate ao desperdício da capacidade de computação instalada, dimensionada para acudir a picos e, por isso mesmo, deixando cerca de 2/3 de toda a capacidade de processamento existente sem utilização.
Do lado das contrariedades – não há bela sem senão... – avulta o receio de que, ao contrário da prometida maior flexibilidade, o cloud computing possa induzir o contrário: aumentar a dependência dos Clientes, dadas as incertezas que hoje existem sobre a facilidade de mudança de fornecedor e sobre os custos reais de tal opção. Acresce que no actual estado da “nuvem” não é muito claro que seja possível satisfazer os naturais anseios de costumização às necessidades específicas dos utilizadores,