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  • 2011-04-14 | Diário Económico

    A década do 3D ou... uma nova revolução industrial?


    Mais recentemente, surgiram os primeiros sistemas que dispensam o uso de óculos, muito provavelmente a última grande barreira à adopção generalizada desta tecnologia.

    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Foi com a técnica da perspectiva, originalmente dominada pelos pintores florentinos do Renascimento, que começámos a visualizar com rigor o mundo tridimensional em apenas duas dimensões. Seiscentos anos depois, fazemos aceleradamente o percurso inverso. A tecnologia de visualização 3D ganha terreno, graças a sucessos como "Avatar". E, mais recentemente, surgiram os primeiros sistemas que dispensam o uso de óculos, muito provavelmente a última grande barreira à adopção generalizada desta tecnologia. 

    Mais impressionante ainda é a evolução da tecnologia de impressão em 3D, em que os objectos são "impressos" adicionando e solidificando camadas de materiais, como cerâmicas, metais, resinas e plásticos. A sua precisão é tal que permite até a "impressão" de um relógio de pêndulo. O  

    processo é o inverso do usado pelo escultor com o seu cinzel, reduzindo-se bastante o consumo de matérias-primas em relação às tradicionais tecnologias de fabrico.

    Hoje em dia a sua utilização cobre apenas nichos de mercado, como a prototipagem e construção de peças para aviões ou as próteses médicas à medida, mas a contínua descida dos custos das impressoras permitirá a adopção generalizada em poucos anos. 

    Quando isso acontecer podemos estar perante uma nova fase da revolução industrial, com inesperadas e profundas implicações económicas, sociais e até políticas. A prototipagem e a produção em pequena escala viabilizarão inúmeros novos negócios - que requerem hoje pesados investimentos em linhas de montagem - com a vantagem da

  • customização de cada peça sem custos adicionais. 

    Por outro lado, as questões associadas à propriedade intelectual assumirão um papel ainda mais relevante, com as. "últimas" barreiras à pirataria a serem praticamente eliminadas, com a drástica redução dos custos de set-up da produção (linhas de montagem, etc.) e a impossibilidade de distinguir os produtos originais das respectivas contrafacções. Se não fizerem alterações profundas nos seus actuais modelos de negócio é a própria sobrevivência de muitas indústrias que estará em causa. 

    Mas a maior mudança virá da produção poder passar a acontecer novamente junto do local de consumo, contrariando a actual tendência de deslocalização e reequilibrando as relações comerciais entre o Ocidente

    e a Ásia. Esta mudança não poderia chegar em melhor altura para a Europa. Resta agora saber se teremos o engenho e a arte para a sabermos aproveitar...

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