Diário Económico
A internet das coisas
Imagine que vai a passear na rua e de repente ouve sirenes de ambulância. O barulho vai ficando cada vez mais próximo e, com espanto, a ambulância pára junto a si. Sai de lá um paramédico que lhe diz: "rápido, entre que está prestes a ter um ataque cardíaco". Esta estória parece tirada de um filme de ficção científica, mas pode ser real dentro de pouco tempo.
Por: Luis Paulo Salvado, CEO da Novabase
Os avanços recentes em diversas tecnologias, desde as comunicações sem fios até aos custos cada vez mais baixos na capacidade de processamento, têm permitido a proliferação de uma enorme variedade de sensores "inteligentes" nas mais diversas áreas. Estes dispositivos estão a produzir cada vez mais dados provocando o aparecimento da chamada "internet das coisas".
À internet que hoje conhecemos, onde uma parte considerável dos conteúdos é produzida por pessoas, junta-se agora um imenso oceano de informação, proveniente de sensores ligados vinte e quatro horas por dia ao mundo real.
Vejamos alguns exemplos. Na agricultura começam a usar-se sensores espalhados pelo terreno para se saber que
zonas precisam de maior quantidade de fertilizantes. Nos seguros automóveis a ideia é associar as apólices não ao perfil de risco do segurado, mas ao comportamento real de quem conduz o automóvel, registado por vários sensores em tempo real (velocidade, travagens, quase acidentes, respeito pelos sinais de trânsito, etc). Na indústria aeronáutica os fabricantes de motores de jacto estão a considerar deixar de os vender, para os alugar com base na quantidade de impulso utilizado. O mesmo conceito pode ser aplicado a inúmeros outros sectores, conduzindo a alterações profundas nos actuais modelos de negócio.
Adicionalmente esta nova internet do "mundo real" irá provocar uma revolução também no sector das TIs. A infra-estrutura actualmente disponível não tem capacidade para armazenar e processar em tempo real tais volumes de