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  • Diário Económico

    Boas novas!


    A boa notícia é que os próximos 20 anos vão ser muito mais prósperos do que as duas últimas décadas. Ainda melhor é a notícia de que Portugal reúne condições particularmente felizes para aproveitar a vaga de prosperidade que está a caminho.


    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Divulgadas assim, em Março de 2010, quando ainda estamos atolados nos estragos do “subprime”, estas notícias soarão à maioria a devaneios de um optimista destemperado. Se é verdade que me incluo na minoria (cada vez mais residual...) dos optimistas, alego em defesa das boas novas o testemunho fundamentado de muito boa gente.

    É o caso de Carlota Perez, uma historiadora económica que anuncia para breve a chegada de uma “idade do ouro”, baseada num estudo profundo e detalhado às sucessivas cinco revoluções tecnológicas, com ciclos de 40 a 60 anos, ocorridas nos últimos 240. Uma análise que comprova a existência, a meio de todos esses ciclos, de recessões provocadas por bolhas especulativas, desencadeando mudanças institucionais correctivas que depois abrem as

    portas a uma derradeira fase de 20 a 30 anos, invariavelmente a mais próspera em todos os ciclos. Terá sido assim com a Revolução Industrial (1771), com o advento do Caminho de Ferro (1829), com a Era do Aço e Engenharia Pesada (1875), com a Era do Automóvel/Petróleo (1908) e com a actual Era das Tecnologias de Informação e Telecomunicações (1971).

    A tese de Carlota Perez vem, pois, ao encontro da minha convicção de que, afinal, não estamos no final (terrível) de um ciclo económico, mas apenas a meio de um ciclo que reservou o seu melhor para o fim, ou seja, que o Mundo talvez nunca tenha estado tão bem preparado para progredir.

    A verdade é que, metidos os especuladores na ordem,

  • temos hoje instalada uma infra-estrutura tecnológica espantosa, fruto de um pesado investimento que está ainda muitíssimo longe de ser rentabilizado, como acontece com a fibra óptica, por exemplo.

     

    É este o desafio galvanizador: optimizar a excelente base tecnológica disponível para responder, com trabalho e abundante criatividade, às novas questões colocadas pelo mundo globalizado, a menor das quais não será, certamente, a satisfação das múltiplas necessidades de cerca de mil milhões de cidadãos em vias de “promoção” à classe média nas economias emergentes. E Portugal, como tentarei explicar proximamente, tem as condições certas para brilhar neste desafio.  

RODAPÉ