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  • 2012-01-04 | Diário Económico

    Continente do futuro


    Os países africanos têm hoje, em média, cinquenta anos de independência - muito mais do que a mediana da idade da sua população, abaixo dos vinte anos. É o continente com a população mais jovem e em maior crescimento. É, também, o segundo mais populoso e a ONU projecta que até 2050 os seus habitantes mais que dupliquem. Isto significa que daqui a 40 anos teremos tantas pessoas em África como a soma de todos os outros continentes, com excepção da Ásia.

    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Por isso é de prever que, ao longo da primeira metade deste século, África acelere o seu crescimento económico, à semelhança do que aconteceu com os tigres do Sudeste Asiático. Isto resulta do chamado "dividendo demográfico", que ocorre quando as taxas de fertilidade baixam mas a população é ainda jovem, aumentando a percentagem da população activa e produtiva. Adoptará tecnologias hoje comuns no resto do mundo, atalhando etapas no seu desenvolvimento. Já o fez, por exemplo, na adopção de redes de telecomunicações móveis sem nunca ter investido massivamente nas redes fixas. Num cenário optimista, a democracia vai florescer nalguns países e tornar-se mais madura noutros. Os sistemas de governação irão evoluir para diminuir a corrupção e as desigualdades. A redução de pobreza baixará o crime e aumentará o turismo. A medida que se for tornando mais rica, estável e acolhedora,

    África irá simultaneamente beneficiar do regresso da sua diáspora e da redução da imigração.

    África tem oportunidades que não existem no resto do mundo. A natureza foi-lhe generosa, não só em beleza mas sobretudo em recursos - de toda a espécie - com elevado valor económico. E, o berço da humanidade, precisa do 'know-how' e da experiência do resto do mundo para os explorar. Isso implicará um reforço de alianças - políticas, comerciais, de conhecimento - com outros países, a Ocidente e a Oriente.

    É aqui que Portugal poderá ter um papel importante, graças a alguns dos nossos trunfos. Os laços históricos com alguns países africanos, o nosso multi-culturalismo e a enorme capacidade para criarmos pontes com outros

  • povos são vantagens importantes, se bem aproveitadas. Para o fazer é fundamental desenvolvermos uma visão estratégica que mobilize o país para esta grande oportunidade. Ao invés de continuarmos a ser uma periferia europeia, uma África poderosa poderá colocar Portugal no centro de um novo mundo.
     

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