2012-02-15 | Diário Económico
Cooperação precisa-se!
Tenho aqui enaltecido algumas características da nossa cultura, do nosso ADN, de país e de povo. Como a nossa invulgar capacidade de adaptação, a nossa perseverança ou o relacionamento fácil com outros povos. Mas os genes lusos também têm limitações.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
Uma delas tem sido a grande dificuldade de nos associarmos, em tirarmos partido do colectivo para a conquista de objectivos comuns que, de outra forma, se tornam inalcançáveis. Estou a falar das várias tipologias de cooperação que, por algum motivo, falham. Das empresas nacionais, que tradicionalmente concorrem no mercado doméstico que não se conseguem aliar para conquistar mercado externo. Das empresas nacionais mais internacionalizadas que, podendo contratar lá fora outras empresas nacionais, não o fazem. De muitos consórcios em que os seus membros estão mais preocupados em discutir as fatias dos magros negócios a que esta falta de cooperação condena, do que em, efectivamente, somar valências para tornar o bolo maior.
Em Espanha as maiores empresas bancos,operadores de
telecomunicações, grandes indústrias - arrastaram consigo muitas empresas "hermanas" na conquista do mercado latino-americano, a sua geografia natural de expansão. Hoje, muitas empresas espanholas, algumas até sem grande dimensão, têm boa parte do seu negócio fora, graças a esta capacidade de entreajuda.
Até ao nível individual Portugal tem um nível de associativismo inferior ao dos seus pares europeus. Um estudo de 2001 patrocinado pela European Science Foundation registava que só metade dos portugueses pertence a, pelo menos, uma associação. Nos países do Norte e Centro da Europa este valor é superior a 70%, e chega mesmo a atingir os 90% em alguns países.
Há quem diga que este problema acontece em Portugal por