Diário Económico
Democracia 'online'
Na última década, as administrações públicas de muitos países têm usado a Internet para facilitar o acesso dos cidadãos a serviços e informação. Portugal tem acompanhado este movimento e está hoje bem posicionado em vários rankings da "governação electrónica". Mas agora há que ousar ir mais longe.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
Para a maioria dos cidadãos a democracia esgota-se na colocação, de tempos a tempos, de um voto numa urna. Para muitos, nem isso é - como provam as elevadas taxas de abstenção. É tempo de pensarmos em tirar mais partido da Internet, juntando ao conceito da democracia representativa o da democracia 'online'.
Barack Obama lançou, há um ano, a iniciativa Open Government, tendo como lema "Transparência, Participação e Colaboração". Iniciativas semelhantes têm-se sucedido um pouco por todo o mundo. Governos de países tão diversos como a Austrália, Japão ou Singapura têm usado a Internet para gerar ideias de melhoria da Administração, promover orçamentos participativos ou tornar mais transparente e participado o processo de compras públicas. Na saúde pública, a análise das pesquisas feitas
no Google permite detectar epidemias de gripe. A colaboração entre o Estado e os cidadãos pode ser estendida a áreas como a energia, transportes e ambiente com a proliferação das redes sociais e dos ubíquos telemóveis inteligentes.
Mas a moeda tem duas faces: o mais interessante uso recente da Internet pelo público foi no escândalo das despesas dos parlamentares britânicos. Em oitenta horas, vinte mil leitores do jornal "The Guardian" reviram mais de cento e setenta mil documentos com despesas (algumas muito reprováveis...) dos seus representantes. Resultado: suspensões, demissões e julgamentos de dezenas de parlamentares. Agora imagine o que o Estado poderá fazer ao mobilizar a energia destes cidadãos para outras causas públicas de igual interesse!