assente na descentralização do poder, na redução da burocracia e no claro foco na resposta equilibrada às necessidades dos principais stakeholders de uma empresa: clientes, colaboradores e accionistas.
Como responde o modelo Beyond Budget às novas
exigências de mercados instáveis?
Num cenário de crescente incerteza, a rigidez hierárquica desacelera a resposta das organizações. A distribuição equilibrada da capacidade de decisão incrementa a qualidade dos recursos de uma organização, tornando-a mais atractiva para o seu melhor capital intelectual, a quem
oferece um maior exercício das suas capacidades, num ambiente mais criativo e de maior responsabilização.
A continuidade da mentalidade orçamental enquanto forma única de medida de desempenho, incompatibiliza as empresas com a pressão sobre os preços que se observa crescentemente. Cabe às organizações aprenderem a valorizar a excelência operacional, a criar ciclos virtuosos
na relação com o cliente através da melhor oferta, ao invés da oferta existente ser empurrada para todos os clientes independentemente das suas apetências ou necessidades.
As empresas sofrem, em alguma medida, por se focarem excessivamente na sua oferta e não no cliente e na sua
necessidade, despendendo mais energia na criação de condições de aceitação do que na construção de relações mais intimas com os clientes, de maior conhecimento do seu negócio e maior capacidade de flexibilizar práticas de forma a proporcionarem o maior ganho ao cliente, mesmo que comprometendo a coerência no portfolio de ofertas.
Observa-se, ainda, que o ciclo de vida de um produto ou de um serviço é, hoje, tendencialmente mais curto e não se antevê uma alteração nesta tendência. As empresas
precisam hoje, mais do que nunca, de encontrarem o seu máximo potencial inovador. Nesta missão, a existência de uma estrutura burocrática centralizada é uma barreira de difícil transposição. Facilitar a mudança pode significar a sobrevivência.