2011-12-21 | Diário Económico
Desejo de Natal
Há precisamente um ano, nestas mesmas páginas, escrevi um artigo que intitulei "Um conto de Natal". Pretendia então passar uma mensagem de esperança sobre o futuro de Portugal. Não sei porquê, mas todos os anos por esta altura recordo-me sempre da história de Charles Dickens.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
Talvez porque, sendo optimista, me conforte o seu final feliz, onde até à mais mesquinha das criaturas é dada a oportunidade de reencontrar a felicidade e a alegria de viver. A avareza, um dos sete pecados capitais, não poderia ter encontrado melhor apóstolo do que Ebenezer Scrooge que desde então tem servido de inspiração a muitas outras personagens, como é o caso do Uncle Scrooge (Tio Patinhas).
O meu optimismo não se confirmou e, de há um ano para cá, muita coisa (nos) aconteceu. 2011 não nos vai deixar muitas saudades. Depois da sequência dos PECs fomos forçados a pedir auxílio internacional. O governo caiu. O novo governo eleito encontrou um país refém de inúmeras dificuldades. Algumas criadas por nós, mas sobretudo outras que nos ultrapassam. A tal Europa forte, coesa,
solidária a que nos associámos, tem feito um trabalho exemplar em negar-se a si própria. Avareza - material, humana, social, moral - e vistas curtas são, para mim, as principais razões. E, consequentemente, tal como no conto de Dickens, vemo-nos perante um fantasma do Natal presente bem real, que ameaça ter um impacto devastador nos nossos rendimentos, na nossa economia, no nosso país, no nosso moral, nas nossas vidas.
Interrogo-me até que ponto a situação terá que descambar para que a Europa reaja adequadamente. Será necessário a Itália pedir também um resgate? A Grécia pedir nova renegociação da sua dívida? Ou mais bancos alemães serem intervencionados? A contínua degradação a que estamos a assistir conduzirá ao isolamento progressivo dos Estados (cada um por si!) e ao declínio generalizado da