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  • Diário Económico

    Forçar a sorte


    Séneca nunca terá sonhado com as alterações que a globalização viria um dia a introduzir na competição económica a nível mundial. Mas o filósofo da antiga Roma deixou-nos uma máxima que assenta como uma luva nos nossos conturbados dias. Dizia ele que “a sorte é quando a preparação encontra a oportunidade”, ou seja, que o sucesso requer uma cuidada preparação do imprevisto.


    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Portugal precisa, todos o sabemos, de forçar a sua “sorte” num mundo económico globalizado cada vez mais imprevisível. O que implicará – à luz do ensinamento de Séneca e da actual realidade dos mercados – investir mais na preparação de competências e atitudes certeiras para o reforço da competitividade do País do que aspirar ao desenho de rebuscados planeamentos estratégicos que já conheceram melhores dias.


    No caso português, estamos a falar na necessidade de acarinhar e incrementar as valências que permitam criar uma diferenciação efectiva da nossa oferta de serviços e produtos, pois todos sabemos também que só o aumento da nossa capacidade exportadora nos próximos anos permitirá retomar o caminho do crescimento económico.

    E são várias as valências que podemos e devemos optimizar, com carácter de urgência, para dotar Portugal das condições que permitam enfrentar, de forma ganhadora, as oportunidades facultadas pelo adivinhado ciclo de retoma surgido, inevitavelmente, do refluxo do presente desastre económico global.



    De facto, a história económica revela-nos, com uma precisão quase cirúrgica, que as grandes crises são verdadeiras rampas de lançamento para ciclos de prosperidade e que os vencedores, sejam países ou empresas, têm sempre por trás uma cuidadosa preparação concebida nos tempos difíceis. Num anterior apontamento abordei, como exemplo positivo, a rápida evolução da capacidade científica nacional nos últimos anos, graças

  • a algumas intervenções políticas correctas que permitiram colocar esta valência cada vez mais ao serviço das empresas. É este tipo de intervenção que anseio para outras valências que nos capacitem a responder
    aos desafios da economia global do futuro.

     

    A atitude ganhadora, a cultura do mérito, as competências em design e o repensar do serviço público são quatro valências que reputo de fundamentais para Portugal conseguir forçar a “sorte” de que Séneca nos fala. Voltarei a elas proximamente.

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