Isto, no entanto, implicaria fiscalizar todos os utentes, fornecedores e colaboradores envolvidos na prescrição e obtenção de medicamentos, para manter o exemplo do Serviço Nacional de Saúde. Uma acção desta natureza é, claramente, financeiramente incomportável, pelos recursos que envolve.
A solução para esta questão passa por seleccionar, de forma informada e científica, os participantes a fiscalizar. Uma forma trivial de fazê-lo é seleccionar uma amostra aleatória com a mesma dimensão do número de acções de fiscalização que se consegue realizar, uma técnica pouco eficiente. Uma optimização a este método é utilizar o conhecimento ganho da investigação de fraudes anteriores para seleccionar casos anómalos; ou seja, usa-se informação e conhecimento para calcular o risco associado
a cada caso e fiscalizam-se os casos de maior risco.
O método mais eficaz, na minha opinião, consiste em combinar as abordagens elencadas, optimizando-as com recurso ao conhecimento das dinâmicas tradicionais da prática de fraude, e.g. quem comete tem elevada probabilidade de já o ter feito no passado, idem para quem tem vínculos com perpetradores conhecidos. Esta combinação de métodos permite combinar a eficácia e eficiência de técnicas sofisticadas de detecção de risco com o efeito dissuasor das fiscalizações aleatórias, favorecendo a racionalização de custos de fiscalização sem sacrificar a recuperação de valores perdidos para fraude. É, aliás, expectável que o valor da recuperação aumente, acompanhando o incremento de eficiência da detecção de risco.
De facto, a prática de fraude é um fenómeno altamente dinâmico, com modus operandi que evoluem constantemente para evitar os métodos de detecção (eventualmente) empregues. Desta constatação decorre também que o combate à fraude deve ser uma preocupação constante, operacionalizada num programa cíclico e orientado por uma estratégia flexível, ágil e de longo prazo. Esta abordagem opõe-se ao método tradicional de planear e executar grandes projectos que só produzem resultados - caso os produzam - depois de decorrido muito tempo e investido muitos recursos. O pragmatismo é fundamental, pelo que a abordagem ideal consiste em executar iniciativas de curta duração e altamente focadas em problemas concretos, com o objectivo de, periodicamente, avaliar resultados e realinhar estratégias.