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  • 2011-09-26 | Diário Económico

    Literacia digital/analógica


    O PISA (www.pisa.oecd.org) é um programa internacional de avaliação dos sistemas de educação e da literacia dos estudantes de 15 anos. Já aqui comentámos as conclusões sobre a relação entre as tecnologias digitais e o desempenho escolar.

    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Hoje propomo-nos a perceber como os jovens portugueses se comparam com os seus pares na OCDE - o clube de países ricos no qual somos um dos países mais pobres. Portugal destaca-se ao nível das atitudes: é, em toda a OCDE, o país cujos estudantes são mais entusiastas quanto ao uso de computadores, e também os que manifestam maior confiança. Do ponto de vista dos recursos disponíveis, Portugal está hoje na média da OCDE e é um dos países que claramente mais evoluíram ao longo da última década. Em 2009, 98% das casas dos estudantes tinham computador e 91% tinham acesso à internet - comparado com 57% e 24% em 2000.

    O número de computadores na escola por aluno está perto da média da OCDE e é mais alto que na Alemanha, Itália e Espanha. Mas aqui Portugal destaca-se pelo papel da

    escola na democratização do acesso às tecnologias de informação. Como seria de esperar, o acesso e uso de computadores em casa é em todo o mundo mais alto nos estudantes oriundos de escalões sócio-económicos mais favorecidos. Em alguns países, a escola reforça essa desigualdade.

    Portugal é o país da OCDE onde a escola mais corrige essa desigualdade, equilibrando o acesso de todos os estudantes. Olhando para os hábitos, as notícias são contraditórias. O número de estudantes portugueses que comunicam por email sobre os trabalhos de casa com os seus colegas e professores é dos mais altos da OCDE e os portugueses aparecem em quarto lugar no uso de computador em casa para tarefas relacionadas com a escola. Mas o uso do computador na escola está entre os

  • piores da OCDE. Aparentemente criámos as infra-estruturas, alterámos os hábitos individuais mas (ainda) não adaptámos as práticas de ensino.

    Os rapazes tendem a usar mais os computadores que as raparigas, quer na escola quer para lazer em casa. Outra idiossincrasia lusa: Portugal é dos países da UE onde essa diferença é maior.

    Mais interessante ainda é que os estudantes portugueses são os que se sentem mais à vontade para criar uma apresentação multimédia e ficam apenas atrás dos holandeses a desenhar um gráfico usando uma folha de cálculo.

    Há que ser muito cauteloso nas conclusões a retirar destes

    indicadores mas uma coisa parece certa. No que toca ao acesso dos jovens às novas tecnologias, Portugal é hoje um dos países com maior igualdade de oportunidades, logo um dos mais democráticos. E isso não aconteceu por acaso. Foi resultado de uma vontade e de medidas concretas. Há agora que saber tirar partido deste esforço, investindo nos conteúdos e nos métodos pedagógicos apropriados a esta nova realidade. Talvez assim a Educação em Portugal passe a mostrar resultados tão animadores nos temas "analógicos" como os que atingiu nos "digitais"...

RODAPÉ