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  • 2011-05-26 | Diário Económico

    O mundo não é assim tão plano


    O mundo é (hoje) plano, se aceitarmos a tese de Thomas Friedman. Defensores e detractores da globalização discordam sobre os seus efeitos, mas partem dos mesmos pressupostos: o mundo é hoje altamente global e integrado e as distâncias são pouco relevantes; a globalização tem aumentado nas últimas décadas e a tendência é continuar a aumentar ainda mais durante o século XXI.

    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Mas eis que surge Pankaj Ghemawat a refutar esta ideia já tão "comodamente" instalada nas nossas mentes. No seu mais recente livro - "World 3.0" - Ghemawat apresenta alguns factos que desmentem as percepções generalizadas. Por exemplo, apenas cerca de 1% das cartas escritas atravessam fronteiras. Menos de 2% das conversas telefónicas dizem respeito a minutos realizados em chamadas internacionais. Os imigrantes de primeira geração são menos de 3% da população mundial e menos de 2% dos universitários estudam fora do seu país de origem.

    90% da população mundial nunca na vida sairá do seu país. Apenas 18% do tráfico da internet atravessa fronteiras. Mesmo o capital é predominantemente local: na média dos últimos anos, somente 10% da formação bruta de capital

    fixo do mundo é feita com capitais estrangeiros e apenas 20% do capital das empresas cotadas é propriedade de investidores não nacionais. Até as dívidas soberanas ficam maioritariamente dentro de portas, i.e., 65%.

    Estes factos criam-nos alguma perplexidade e levantam algumas questões importantes. Se os tão propalados efeitos de globalização já se fazem sentir tão intensamente, o que esperar então quando o "peso do internacional" for realmente significativo? E qual será o equilíbrio adequado entre a globalização desregulada e os proteccionismos nacionais?

    Não acredito que actualmente existam respostas definitivas a estas perguntas. Mas acredito que, para que o mundo possa continuar a beneficiar da eliminação das barreiras ao

  • livre comércio de bens e serviços, vamos ter que estabelecer mecanismos para mitigar, de forma global se necessário, as falhas dos mercados. Os quatro últimos anos tornaram tudo isto muito claro e não é nada prudente ignorarmos o que aconteceu!

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