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  • Diário Económico

    O tempo dos CEO


    O tempo é, nas nossas vidas, um dos bens mais escassos. Nas empresas, o tempo dos gestores é também precioso, aumentando de valor consoante a sua responsabilidade. Por isso, o tempo dos CEO é um dos principais activos de qualquer empresa. Utilizá-lo bem pode mesmo ser a diferença entre uma empresa bem e mal gerida, logo, entre o sucesso e o insucesso.


    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    O estudo "What do CEO do?", recentemente publicado pela Harvard Business School, analisa a utilização do tempo de cerca de 100 CEO. As conclusões são curiosas. Ficamos a saber que o tempo médio trabalhado pelos "executivos chefes" - 48 horas por semana - pode variar muito mas que existe uma relação directa entre o tempo trabalhado e o sucesso: quanto mais trabalha o CEO, melhor é o desempenho da empresa.

    Cada hora adicional de trabalho gera mais valor, mas nem todas são iguais. Surpreendentemente, o aumento em 1% do tempo passado com pessoas internas à empresa tem um impacto cinco vezes maior que o mesmo aumento dedicado a pessoas externas, mesmo tratando-se de clientes.

    Parece que cada hora que o CEO está com os seus colaboradores é uma oportunidade de os desenvolver e de os estimular a fazerem melhor.
     
    Inversamente, os CEO que trabalham menos horas são também os que gastam menos tempo internamente. Uma explicação apontada pelos autores do estudo é que o tempo gasto externamente, sobretudo em encontros individuais, tem mais como objectivo a auto-promoção do CEO do que servir os interesses colectivos da empresa.

    E em que actividades distribuem os CEO o seu tempo? As incontornáveis reuniões preenchem a maior parte da sua agenda, consumindo 60% da sua disponibilidade.
  • Quando olhamos para o tempo passado com não colaboradores, também não são os clientes que aparecem em primeiro lugar, mas os consultores! Já com os colaboradores, os que merecem mais atenção são os financeiros. Por outro lado, os que merecem menos são os recursos humanos, o que parece indicar que, afinal, os temas relacionados com "o activo mais importante das empresas", como aliás quase todos os CEO gostam de dizer, não parece receber a atenção que essas palavras indiciariam.

    O que este estudo vem comprovar é que as lideranças mais eficazes são as de proximidade, aquelas que se focam no estímulo directo às equipas, num processo de

    aprendizagem permanente pelo exemplo. Agora que se pede aos colaboradores que trabalhem mais meia hora por dia, porque não pedir aos CEO que reflictam onde investem o seu tempo? Mais do que nunca as empresas vão precisar que os seus líderes estejam presentes no seu dia-a-dia para as guiar nos difíceis e exigentes tempos que temos pela frente.

     

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