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  • 2011-11-23 | Diário Económico

    Saber cuidar


    As primeiras referências sobre responsabilidade social têm mais de um século. Ideias que na altura não tiveram adesão por serem consideradas "socialistas".

    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    O tema apenas recebeu a atenção da comunidade empresarial a partir da década de 50, com o lançamento do livro "Social Responsabilities of the Businessman", do economista Howard Bowen. Desde então, a sociedade, como a responsabilidade social das empresas, tem evoluído e, nas últimas décadas, a sustentabilidade tornou-se o seu tema central.

    A sustentabilidade - do desenvolvimento, ambiental ou económica, dos negócios e dos países - é um objectivo simultaneamente louvável e sensato. Ninguém deseja deixar aos seus filhos um mundo pior do que o que recebeu dos seus pais. Mas o futuro é mais difícil de proteger quando se vive mal no presente. Em tempos de crise, as prioridades da sociedade mudam. No Portugal de hoje, o desemprego e a pobreza estão a aumentar e o Estado vai ter menos meios

    para ajudar quem realmente precisa.

    É aqui que as empresas podem e devem ter um papel importante. Veja-se o caso da Starbucks que criou um programa de apoio às comunidades locais, ajudandoos com acções concretas focadas nas suas necessidades. Nos difíceis tempos que vivemos, era importante que mais empresas olhassem à sua volta e percebessem como podem também contribuir, na medida das suas possibilidades. E não são necessários muitos meios para se conseguir ter impacto, às vezes bastam algumas (boas) ideias.

    Por exemplo, porque não canalizar para esta causa o orçamento das habituais festas de Natal destinadas aos colaboradores? E se a isso juntarem o orçamento das

  • tradicionais ofertas a clientes? Há certamente muitas instituições que saberiam aproveitar estes apoios acudindo a verdadeiras situações de emergência social e, com isso, ajudar que mais precisa a ter uma quadra um pouco mais confortável, digna e humana.

    Mas estas ideias não devem ficar por aqui. Existem outro tipo de apoios que podem ser realizados. Lembro-me que muitas foram as vozes de protesto quando o Governo decidiu cancelar os prémios financeiros aos melhores alunos das escolas. Quantas destas vozes tiveram a ideia de colmatar esta falha, substituindo-se ao Estado? É que, mais do que com relatórios e bonitas campanhas publicitárias, a responsabilidade social deve ser feita com acções...

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