Diário Económico
Telemóvel-dependentes
Em Maio de 1840 surgiu o 'penny black' considerado o primeiro selo de correio. Retratava a Rainha Vitória de perfil e surgiu mais de dois milénios após as primeiras moedas conhecidas.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
É hoje evidente que os selos parecem destinados aos museus e filatelistas. As moedas arriscam-se a seguir um caminho semelhante e a nunca virem a ser usadas pelos nossos netos. Caminho esse que poderá ser também trilhado pelos bilhetes de espectáculos, chaves e cartões de acesso. Tudo substituído - ou desmaterializado - a favor do telemóvel. A tecnologia já existe. Chama-se Near Field Communication (NFC) e permite que dois (ou mais) aparelhos comuniquem a uma distância pequena, de cerca de dez centímetros. Tudo isto de forma segura, mais barata e mais rápida do que outras tecnologias já popularizadas como o Bluetooth. Os modelos de telemóveis mais recentes já suportam esta tecnologia e é uma questão de tempo até se massificar e tornar um 'standard' de facto. Graças ao NFC o telemóvel fará pagamentos, em particular de baixo valor. Substituirá os cartões de acesso e de identificação.
Fará as vezes das nossas chaves, dos bilhetes de concerto e de avião e dos títulos de transporte urbano. Trará para o telemóvel informação relevante, em formato multimédia, sobre o local onde estamos: num cinema, os 'trailers' dos filmes em cartaz; num museu, a planta e o audio-guia; numa cidade estrangeira, o mapa do bairro a explorar; na portagem da auto-estrada, informação de trânsito e localização de estações de serviço.
De forma progressiva o telemóvel tem conquistado um espaço cada vez maior nas nossas vidas. Começou com as chamadas, depois os SMS, o acesso à internet e, mais recentemente, as aplicações. Tornou-se num parceiro indispensável não só no mundo dos negócios, mas sobretudo nas nossas vidas pessoais. O NFC será mais um passo nesta direcção.