2011-10-28 | Semana Informática
Tem dívidas quem não pensa bem
Tal como existe dívida soberana nos Estados, existe também a chamada "dívida técnica" nos projectos de software, principalmente em organizações pouco maduras. Esta dívida tende a aumentar na proporção directa do número de "atalhos" percorridos na arquitectura. E nos projectos em que a dívida técnica cresce de forma descontrolada corre-se o risco de falência do sistema, tal como nos Estados.
Por: Filipe Martins, Arquitecto de Software Novabase
Qual a relação entre a dívida dos Estados e a arquitectura de software? À primeira vista, nenhuma. Mas existe uma analogia relevante entre as duas. Numa visão simplificada, e não tendo em conta os percursos de cada país, os problemas dos Estados com as suas dívidas soberanas têm origem na forma como são definidas as prioridades dos seus orçamentos de Estado. A priorização dos gastos é feita com uma visão de curto e médio prazos. As decisões são tomadas com o objectivo de maximizar a obra feita até às próximas eleições, sacrificando o longo prazo e contraindo um nível de endividamento muito superior ao que poderá ser suportado pelas futuras gerações.
Tal como existe dívida soberana nos Estados, existe também a chamada "dívida técnica" nos projectos de software, principalmente em organizações pouco maduras.
Esta dívida tende a aumentar na proporção directa do número de "atalhos" percorridos na arquitectura. E nos projectos em que a dívida técnica cresce de forma descontrolada corre-se o risco de falência do sistema, tal como nos Estados.
A verdade é que a origem do problema é análoga à dos Estados soberanos. Tal como na dívida soberana, a "dívida técnica" resulta de uma visão de curto/médio prazo. Por exigências de calendário, a fase de desenho da arquitectura da solução é reduzida, ou mesmo eliminada, passando-se da análise de requisitos à execução do código. O objectivo é mostrar ao cliente "obra feita" o mais rapidamente possível, mesmo que isso signifique comprometer a solução aplicacional a longo prazo, tornando-a muito difícil de escalar e/ou manter.