que à partida não se tem. Entre a Motivação e a Fraude existe praticamente só a noção de Oportunidade de se não ser 'apanhado'.
Quando se confia há a partilha de um espaço, de bens e de recursos comuns (mesmo que a propriedade formal pertença a cada uma das partes). Assim nascem parcerias, para uso dos bens e recursos de ambas as partes em conjunto como forma de promover sinergias e potenciar os ganhos comuns. Neste tipo de cenário a Motivação para a prática de Fraude diminui consideravelmente, visto já existir acesso partilhado aos bens e recursos que no caso oposto teriam de ser adquiridos de formas menos lícitas ou éticas.
Algo que costuma acontecer em alturas de crise (confesso já me aborrecer usar esta palavra...) é a diminuição dos
níveis confiança, não só relativamente ao Cenário Económico e outros termos vagos, mas sobretudo entre as próprias pessoas. Numa sociedade já de si muito individualista e não participativa, a degradação das condições económicas e sociais leva a um fechamento ainda maior sobre a esfera contextual de cada um (pessoa, empresa ou organização), dificultando dessa forma práticas de cooperação e partilha de problemas e soluções. A anomia económica num meio individualista é potencialmente causadora de reacções de pânico pessoal (ou empresarial) à degradação súbita do contexto, levando a acções irreflectidas, irracionais e danosas para o agente e o que o rodeia.
Concluo com um conselho/pedido, plenamente contextualizado nesta época: não entrem em pânico, não se
fechem nos vossos problemas, não se permitam ficar mais desconfiados. Estou certo que as soluções para os problemas passam por calma, objectividade, cooperação e confiança. Diminuir-se-ão assim não só as práticas de fraude, mas também o impacto deste tsunami que nos afecta a todos, quer a nível económico, quer sobretudo a nível humano.