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  • Diário Económico

    Um novo par para o tango


    Por estes dias tem subido de tom o lamento colectivo sobre a falta de lideranças fortes e “esclarecidas” que nos ajudem a sair deste precipício, aparentemente sem fundo, onde Portugal e a Europa se despenharam.


    Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase

    Há mesmo quem comente que as colheitas de líderes dos últimos anos têm sido fracas, não dando azo sequer a uma “grande escolha” ou a uma “reserva especial”. Como se a qualidade dos líderes estivesse dependente de factores tão aleatórios como a quantidade de chuva ou a exposição solar, determinantes sim para o grau e a acidez dos néctares.


    Mas deixemos a adega e analisemos as razões concretas que nos levam a suspirar, resignados, por grandes líderes saídos do nevoeiro. À primeira vista, não se vislumbram motivos para que as lideranças actuais percam, em qualidade e quantidade, para as lideranças de antanho. Pelo contrário. Hoje temos maior campo de recrutamento, democratização do acesso às fontes do conhecimento, maior consciência da importância da inteligência


    emocional, tudo fertilizantes importantes para o terreno onde é suposto nascerem líderes mais estruturados, completos e capazes.

     

    Onde buscar, então, a razão do nosso descontentamento? Tenho para mim que o nó da questão está na ausência de conjugação do papel do líder com o do parceiro imprescindível para o sucesso de qualquer liderança: o gestor profissional! Isto porque acredito que todos os grandes líderes têm sempre, ou tiveram, grandes gestores que os complementaram. Precisam uns dos outros para funcionarem em pleno.

     

    E a crise do sub-prime teve origem precisamente na falência da gestão atenta e competente do risco que se impunha perante uma ideia visionária, típica de um líder: 
  • permitir o acesso a casa própria às famílias de baixos recursos.

     

    O líder busca uma visão, o gestor foca-se em objectivos. O líder dedica-se mais à condução e inspiração da equipa, o gestor ao planeamento e execução das tarefas. Por isso o líder tem seguidores e o gestor subordinados. Ora, quando o essencial para todos – Estado e empresas – é controlar custos, racionalizar recursos, gerir “caninamente” por objectivos exigentes, com uma margem de manobra apertadíssima, o papel do gestor é crucial.

    Aos líderes competia apontar o caminho, mesmo espinhoso mas inevitável. Já o fizeram. Cabe agora aos gestores garantir que esse caminho será mesmo trilhado.

    Liderança e Gestão: um novo par para o tango!

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