Diário Económico
Um rumo para a internacionalização…
A ideia de que a falta de dimensão das empresas nacionais será o principal obstáculo à sua internacionalização está instalada. Daí o apelo à concentração, procurando assim ganhos de massa crítica e de músculo financeiro que permitam abrir a porta dos mercados externos.
Por: Luís Paulo Salvado, CEO da Novabase
Mas se esta visão será sustentável para alguns sectores de actividade, quanto às Tecnologias de Informação (TI) afigura-se algo desfasada da realidade. Porque os níveis de concentração em Portugal estão em linha com os verificados em mercados mais maduros – os nossos cinco maiores players de TI detêm 35% do mercado – mas também porque as evidências desmentem que o maior trunfo para a internacionalização destas empresas é a sua dimensão, dado os sucessos além-fronteiras de pequenas unidades com ofertas competitivas e diferenciadas.
Se assim é, então o que tem dificultado a internacionalização neste sector? Admito outras causas, mas a minha vivência de 20 anos nesta área, incluindo nos últimos 10 o acompanhamento de perto de vários modelos de internacionalização, leva-me a invocar como principal
constrangimento a sustentabilidade específica do negócio dos serviços de TI, ou seja, a sua reduzida visibilidade, dada a curta duração da maioria dos projectos. Esta especificidade dita que o tempo e o esforço da gestão de topo das empresas sejam dedicados à angariação de novo negócio, inviabilizando o seu vital empenho na construção de um modelo de internacionalização ganhador. Importa pois aumentar a visibilidade do negócio no mercado nativo. E uma das soluções passa pelo desenvolvimento do negócio do outsourcing.
Bem sei que as abordagens “big&ugly”, em que os clientes ficam na dependência de um único fornecedor, não têm facilitado a sua adopção. Até porque alguns destes projectos não correram como esperado pelos clientes. Mas existem formatos, como o multisourcing, que minimizam em