protótipos numa sequência alucinante de "sins, nãos, aproveita-se isto mas aquilo não". Quando lhe perguntei o que havia de especial no sucesso da Apple, qual o segredo para criar outra empresa assim, ele respondeu: "contratar o Steve Jobs, ele é o único capaz de o fazer". Mas Jobs não teve só sucesso. Teve algo ainda mais importante que isso. Teve também muitos insucessos. E aprendeu sempre com eles. Em 1993, o Apple Newton foi um precursor dos PDAs, e do que é hoje o iPhone. Já tinha agenda, e-mail, fax, contactos, touchscreen, mas também tinha um preço de 1.000 dólares, era grande, pesado, e lento. O primeiro Macintosh portátil em 1989, com mais de 7 quilos, custava 6500 dólares e foi um desastre comercial. Foi o percursor do MacBook Air, o portátil mais fino do mercado. Até a iCloud teve uma incarnação falhada, chamada MobileMe.
Lembro-me bem de um desses falhanços. Chamava-se LISA e foi o precursor do Macintosh, Estávamos em 1983 o foi primeiro PC a ter um rato e uma interface gráfica. Na altura eu tinha um micro computador (um ZX81 com 1k de memória). Fiquei tão fascinado com a elegância do LISA que pedi uns catálogos pelo correio apenas para o admirar "mais de perto" (custava uma fortuna e eu era apenas um estudante do secundário). Curiosamente, cerca de um ano depois, quando entrei na universidade e iniciei um estágio no INESC, tive uma das maiores surpresas da minha vida: o trabalho era com um Macintosh, o sucessor do LISA! Foi aí que começou a minha admiração pela obra do Jobs pois a experiência de trabalho não se comparava a nada do que tinha feito até então. Jobs era também conhecido pelo enorme perfeccionismo e pela sua obsessão doentia pelos detalhes. Conta-se que aterrorizava as suas equipas e que
existia mesmo um "Bad" Steve que não hesitava em despedir colaboradores no elevador quando não gostava das respostas às suas perguntas. O episódio em que atirou um protótipo do iPod para dentro de um aquário só para provar aos seus engenheiros que se saíssem bolhas era porque eles ainda o poderiam fazer mais pequeno é também ilustrativo. E, de facto, as bolhas saíram... Mais recentemente conta-se que, num fim-de-semana em vésperas de lançamento do iPhone, pôs os nervos em franja a meia-Apple porque não gostava do amarelo do "e" no logo da Google que aparecia no ecrã.
Há quem diga que foi este temperamento que levou à sua saída da Apple em 1985. Ser despedido da empresa que fundou e ainda por cima por alguém que tinha contratado (John Sculley, ex-presidente da Pepsi e que foi contratado