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  • 2011-01-25 | Diário Económico

    ES Ventures lança dois fundos com 15 milhões de euros

    A ES Ventures, capital de risco do Banco Espírito Santo (BES), vai anunciar hoje o lançamento de dois novos fundos de investimento para empresas: o I-Start e o Fundo Inovação e Internacionalização.

    "Os fundos estão em fase final de aprovação na CMVM. O i- Start é um fundo para investir em empresas numa fase muito inicial do seu desenvolvimento, em conjunto com o Instituto Superior Técnico, para empresas que saiam da investigação de universidades portuguesas", explica o presidente-executivo da ES Ventures, Joaquim Sérvulo Rodrigues, em entrevista ao Diário Económico. "O outro é para investir na internacionalização de empresas portuguesas, inovadoras e com potencial de grande crescimento", avança. O I-Start terá cinco milhões de euros disponíveis e o fundo Inovação e Internacionalização atinge dez milhões de euros de capital disponível, ambos a aplicar nos próximos três anos, acrescenta o responsável. "No caso do fundo de Internacionalização é só capital do BES. No I- Start é de diversos investidores privados, que complementam os fundos do programa COMPETE."

    A formalização dos dois novos fundos "está iminente", devendo acontecer nas próximas duas semanas. "No entanto, não estamos à espera para actuar. Estamos já há alguns meses no mercado e, portanto, temos um 'pipeline' de oportunidades e propostas de investimento efectuadas", revela Joaquim Sérvulo Rodrigues.

     

    Nos últimos 11 anos, a ES Ventures já apoiou cerca de 40 empresas com 300 milhões de euros - mais de metade empresas portuguesas. Actualmente, a carteira atinge 75 milhões de euros. Segundo o mesmo responsável, as perspectivas de retorno para os investidores "fixam-se entre os 10% e os 20% ao ano". Empresas como a NOVABASE, Chipidea ou Outsystems são casos de sucesso no portefólio de investimento da capital de risco. "Os fundos investem sempre para desinvestir mais tarde,

  • passado quatro, cinco ou seis anos, dependendo do tempo que demore a empresa a consolidar-se e a criar valor. Estes fundos existem para remunerar os seus investidores", explica.

     

    As áreas de investimento são várias mas tipicamente a ES Ventures apoia empresas relacionadas com sustentabilidade, sobretudo nas tecnologias limpas; na saúde e bem-estar e de tecnologias de informação.

     

    Baseando-se em indicadores numa óptica de impacto para o País, Joaquim Sérvulo Rodrigues explica: "No ano em que investimos globalmente as vendas atingiram os 130 milhões de euros. Em 2010 venderam, grosso modo, 500 milhões de euros." E dos 2.500 empregos criados por estas empresas, passou-se para cinco mil postos de trabalho.

    Empreendorismo

     

    Em parceria com a Universidade Católica, o BES vai lançar um curso para gestores. O Programa Avançado de Gestão e Inovação para empreendedores pioneiro, que vai ser apresentado hoje. A sessão, no BES Arte e Inovação, conta com a presença de Ricardo Salgado, presidente da comissão executiva do BES, Joaquim Góes, administrador do BES, Fátima Barros, directora da Faculdade da Ciências Económicas e Empresariais da Universidade Católica Portuguesa, e de Francisco Veloso, coordenador do programa.

     

    Três perguntas a Joaquim Sérvulo Rodrigues, Presidente-executivo da Es Ventures

     

    "As empresas em que investimos têm de ser inovadoras"

     
    Com o lançamento de dois novos fundos para apoiar empresas, a ES Ventures quer gastar 15 milhões de euros em três anos. Mas há 11 anos que a capital de risco apoia projectos inovadores, com um retorno de 10% a 20% para os investidores, diz Joaquim Sérvulo Rodrigues, presidenteexecutivo da capital de risco. 
     
    Que características tem de ter uma empresa para que a ES Ventures invista? 
     
    As empresas em que investimos têm de ter três características. Ter algo inovador, com alguma propriedade intelectual. Depois, o problema que venham a resolver tem

     

  • de ser relevante. O terceiro critério é o mais importante: as pessoas, e este é o mais crítico, têm de ser conhecedoras da área de negócio em que estão a actuar, têm de ser honestas e resilientes.

     

    Qual o impacto destes investimentos na economia nacional?

     

    Olhámos para as vendas e recursos humanos no ano em que investimos e também em 2010. No ano em que investimentos, globalmente, as vendas destas empresas atingiram 130 milhões de euros; e, em 2010, venderam grosso modo 500 milhões de euros. No que toca a recursos humanos, no ano em que investimos empregavam cerca de 2.500 pessoas e no ano passado quase cinco mil pessoas. Isto é crítico para o País. Há estudos internacionais que

    indicam que estas empresas são responsáveis por 90% da criação de emprego. Ou seja, ao apoiarmos estas empresas inovadoras estamos a apoiar aquilo que sustenta o crescimento económico do País.

     

    O efeito da crise sente-se nestas empresas? 

     

    Sente-se menos. Estamos em crise, mas três quartos do mundo não estão em crise. Os que não vendem só para estes três quartos do mundo que não estão em crise e vendem também para Portugal, e para países onde há dificuldades, sentem de certa forma o efeito da crise. Agora, certamente sentem menos do que as que dependem só do mercado nacional ou da administração pública.  

RODAPÉ