com o agudizar da crise as nuvens negras adensaram-se e muitos clientes adiaram investimentos. Os nossos números do primeiro trimestre refletem isso, embora estejam em linha com o que tínhamos antecipado. A nota positiva é que tivemos um crescimento internacional de 115% (face a igual período de 2010), muito acima do que estávamos à espera. Isto faz com que o negócio além-fronteiras já seja de 22%, quando há um ano era 10% (a média de 2010 foi 15%). Este movimento está a ser feito de forma sustentada porque implica mudanças. Apesar de 2010 ter sido o melhor de sempre a nível dos resultados líquidos, não nos acomodámos e estamos preparados para tempos desafiantes.
- Os objetivos para este ano estão em causa?
- Não. A degradação de 21% da nossa margem operacional nos primeiros três meses, devido aos custos da internacionalização, já estava prevista. A isto juntou-se a degradação do negócio em Portugal, sobretudo na componente de produtos (por exemplo, TV digital). Além de atingir os objetivos financeiros, queremos no final do ano estar mais bem preparados para a internacionalização. Vamos abrir novas frentes e reforçar as que já temos. Estamos a reforçar em Espanha (cujo mercado de TI é 10 vezes o português), onde temos 100 pessoas. A outra frente é Angola onde estamos há dois anos nos sectores de telecomunicações e banca. Em 2010 Angola já representou 10 milhões de dólares e este ano deve crescer 40%. A partir do escritório do Dubai temos ampliado a carteira de projetos em países do Médio Oriente e norte de África (Egito e Quénia).
- A empresa tem sido penalizada pela dependência do mercado doméstico?
- Fomos penalizados por fazermos parte de uma geografia que está a ser olhada com muita desconfiança. Alguns fundos internacionais deixaram de ser nossos acionistas, não tanto pelos rácios da empresa, mas porque tinham instruções para não estarem em empresas em Portugal e em Espanha que tenham mais de 40% do negócio nestas geografias. No caso da Novabase agrava-se por ser um título com baixa liquidez.