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  • 2011-02-09 | Açoreano Oriental 

    "Pensar Portugal é pensar pequeno" defendem empresas


    Empresários da área dos serviços e da chamada nova economia defenderam ontem no Congresso das Exportações que qualquer empresa deverá pensar na internacionalização desde a sua génese, no que beneficiará do trabalho conjunto com outras entidades.

    "Qualquer empresa que pense só em Portugal está a pensar pequeno", garantiu Carlos Brazão, director da Cisco Portugal, que opera na área das tecnologias de informação.

     

    "Portugal só representa um por cento do mercado europeu e qualquer empresa deve ter desde o primeiro dia, uma ideia de internacionalização que a faça querer saltar para o mercado lá fora".

     

    Nuno Fórneas, director executivo da Novabase, reconheceu que "o principal obstáculo" à internacionalização das empresas portuguesa é o facto de essas "terem muita dificuldade em trabalhar em conjunto". "Os portugueses têm que deixar de ser mesquinhos e perder o medo de trabalhar em equipa", afirmou. "Assim teriam muito mais a ganhar".

    Para João Almeida Lopes, presidente da APIFARMA - Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica, os benefícios da cooperação estão demonstrados no sucesso da Farma Portugal, a parceria público-privada criada há quatro anos para promover no estrangeiro o sector farmacêutico nacional. O projecto tem tido efeitos no volume de vendas do sector e João Almeida Lopes anuncia: "Em 2010 vamos ter vendas superiores a 500 milhões de euros".

     

    O presidente da APIFARMA admite, contudo, que "é extremamente difícil fazer qualquer coisa em conjunto" em Portugal.

     

    Bento Correia é o director da Vision Box - que criou a tecnologia de identidade electrónica utilizada para emissão

  • do Cartão do Cidadão e o sistema rápido de controlo de fronteiras que ontem está activo em mais de 20 aeroportos internacionais - e também acredita no potencial exportador das empresas de serviços. "Portugal é um país pequeno, mas tem uma capacidade de inovação única", referiu. "Tem potencial para se colocar em mercados internacionais bastante difíceis".

     

    Para Peter Villax, esse potencial fica demonstrado com o exemplo da empresa Hovione, de que é director-executivo: "Exportámos 115 milhões de euros em 2009 e somos o maior fabricante de genéricos de contraste radiológico no mercado japonês.

     

    No contexto da actividade desse fabricante de princípios activos para medicamentos, "a proximidade ao cliente é

    fundamental" e usar de uma certa "elegância" também ajuda à distinção quanto à concorrência.

     

    Francisco Van Zeller deixou, por sua vez, uma sugestão que descreveu como "atrevida": "As empresas do Estado deviam ser obrigadas a exportar conhecimentos, até porque esse investimento implica, de forma geral, um investimento físico menor".

     

    O Congresso das Exportações, que ontem reuniu em Santa Maria da Feira cerca de 1200 empresários, pretende estabelecer um plano que permita impulsionar a mobilização da economia e a cooperação estratégica entre grandes empresas e as PME.

     

    Governo vai criar seguros de crédito para

    "empresas que têm ciclos longos de produção"

     

    O primeiro-ministro anunciou ontem que o Governo vai criar novos seguros de crédito "dirigidos às empresas que têm ciclos longos de produção", bem como manter linhas de crédito comercial e simplificar processos para reduzir custos administrativos das empresas.

     

    "No capítulo do financiamento vamos manter as nossas linhas de crédito comercial, mas vamos também actuar nos seguros de crédito, em empresas que actuam fora da OCDE, mas dirigidos especialmente às empresas que têm ciclos longos de produção", disse José Sócrates em Santa Maria da Feira.

     

    Estas empresas, especificou, são empresas que precisam  

  • de especial protecção uma vez que "fazem contratos, mas depois têm longos anos pela frente até começarem a receber".

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